Fast Fashion – O que é e como combater este modelo?

Fast Fashion – O que é e como combater este modelo?

As empresas que trabalham num modelo de Fast Fashion estão muito atentas aos hábitos de consumo existentes ao nível do vestuário. Assim sendo, elas observam o que as pessoas estão a consumir de marcas mais reconhecidas e fabricam em larga escala modelos parecidos, porém com uma qualidade inferior. Desse modo, há uma maior certeza de que essas peças serão consumidas. Neste modelo os produtos são fabricados em grande escala, consumidos e descartados com uma grande rapidez. Entretanto, tais acções resultam no descarte de inúmeras peças o que provoca imensos danos no meio ambiente.

Cada ano a qualidade da roupa casual tende a piorar. As peças perdem cor, atualizam-se e desgastam-se cada vez mais rápido. Estas são as condições ideais para o Fast Fashion

Este modelo de negócios depende da eficiência do fornecimento e produção em termos de custo e tempo de comercialização dos produtos ao mercado, que são a essência para orientar e atender a necessidade de consumo por novos estilos a baixo custo.Aliás, as tendências modificam tão rápido que é difícil ao consumidor seguir-lhe esse ritmo tão acelerado.Contudo, continuamos a comprar só para estar na moda.

Este movimento foi importado de marcas da Europa, sendo bastante forte em Espanha, considerada a quarta maior produtora têxtil do mundo, contando com diversas marcas diretamente relacionadas ao mercado do fast fashion entre as marcas mais valiosas do país.

De forma a ser mais fácil entender este conceito, elaboramos um infográfico onde poderá ficar com uma visão mais abrangente das características deste modelo de negócio, assim como o surgimento do Slow Fashion:

Infográfico sobre o Fast fashion na indústria têxtil

A redução dos preços na roupa durante os últimos 20 anos permitiu aos consumidores comprar cada vez mais.Certamente, hoje em dia temos 5 vezes mais roupa do que os nossos avós. Toda esta tendência parecia perfeita até que foi descoberto o que estava por trás deste comportamento. A realidade é que esta acumulação de peças de vestuário baratas, só é possível devido a uma constante redução dos custos de produção, o que implica graves consequências para a nossa saúde, para o ambiente e para as vidas de quem produz.

Fast Fashion e Sustentabilidade

O Fast Fashion sendo um modelo de negócio está assente em três grande pilares:

  1. produzir a maior quantidade possível,
  2. o mais rápido possível, 
  3. ao mais baixo custo possível

Um conceito muito defendido pelas empresas que praticam um modelo de negócio baseado na produção de vestuário em massa, é a Sustentabilidade existente neste modelo de negócio. Numa entrevista dada por Salomé Areias, coordenadora da Fashion Revolution Portugal, a mesma afirma que: “Falar em fast fashion sustentável é um absoluto paradoxo.” O modelo de negócio destas marcas, descreve, baseia-se em três grandes pilares: “Produzir a maior quantidade possível, o mais depressa possível, ao mais baixo custo possível.” “Nunca vamos conseguir um modelo de negócio destes onde quer que seja que não esgote absolutamente os recursos, sejam laborais, sejam matérias-primas.” Poderá aceder a essa entrevista aqui. 

Condições laborais precárias

A maioria da roupa usada pelos consumidores fabrica-se em países onde os direitos dos trabalhadores são limitados ou inexistentes. De facto, as estruturas de produção mudam constantemente de localização em busca de mão de obra mais barata. A falta de segurança, baixos salários, trabalho infantil e desigualdade de género são algumas das condições precárias encontradas nesses países. Catástrofes como a derrocada do Ran Plaza em 2013 trouxeram um grande mediatismo relativamente às más condições laborais vividas nas fábricas onde se produzem milhares de peças para as grandes marcas de Fast Fashion.

Slow Fashion como uma alternativa sustentável

Como já foi referido isto acarreta vários riscos, quer a nível ambiental, ao nível da saúde quer dos consumidores quer da mão de obra que é explorada devido à necessidade da produção desenfreada. Assim sendo, e havendo a preocupação de combater todos estes riscos foi criada uma alternativa sustentável à moda globalizada, designada de Slow Fashion.

A prática do slow fashion preza pela diversidade, dando primazia ao local em relação ao global. Promove a consciência ambiental contribuindo igualmente para o reforço da confiança entre produtores e consumidores. Existe também uma forte politica da prática de preços reais incorporando os custos sociais e ecológicos mantendo a sua produção em pequenas e médias escalas.

Cabe a todos nós enquanto indivíduos e organizações, adoptarmos as medidas mais corretas de forma a defender e a praticar uma politica de sustentabilidade quer ambiental quer económica cada vez mais sólida. Assim sendo, foi elaborado este artigo de modo a levar até si esta problemática de forma a estarmos atentos e informados acerca de um assunto tão delicado e complexo.

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